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Revista das manhãs do SBT só vai ao ar se o mercado comprar

Por que o SBT quer uma revista eletrônica pela manhã, o que Celso Portiolli planeja para o Domingo Legal ao vivo e o risco de a Globo romper com a RPC.

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A revista eletrônica que o SBT quer colocar nas manhãs não nasce de um problema de audiência. Nessa faixa, a emissora vai bem, encosta na Record em muitos momentos e, em alguns dias, chega a ultrapassar. O problema é vender. Às vezes um programa dá audiência e não consegue ter rentabilidade, e é isso que o SBT procura agora.

A pressão vem do departamento comercial e dos consultores comerciais da emissora, que querem um produto capaz de atrair anunciantes maiores do que os que estão no ar hoje. Nos bastidores, já é dado como certo que o Simbora só terá espaço na grade no ano que vem e isso após bons estudos e muito planejamento.

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Se seguir como está desenhado, com Marcelo Casagrande, Felipeh Campos e Dani Brandi, o time é bom e pode dar ao programa uma cara de SBT, com pique popular. E precisa ser exatamente isso: uma contraprogramação a Record e Globo. Sem essa diferença, a revista corre o mesmo risco de qualquer outro projeto.

Piloto antes da estreia

O que se fala nos bastidores é que, passado o Teleton, deve ocorrer a gravação do primeiro piloto. O material vai para o departamento comercial e para as agências de publicidade. Só com respaldo comercial o programa entra no ar, e a promessa é que, aprovada, a revista estreie ainda na segunda quinzena de novembro.

Esse deve ser o caminho do SBT daqui em diante: ter a ideia, gravar o piloto e sondar o mercado publicitário antes de arriscar. Hoje não vale mais colocar um produto no ar e pensar na venda depois. A venda tem de nascer junto com o projeto.

E as tardes?

A emissora sabe que precisa olhar para as tardes, e está olhando. Teoricamente, as novelas iriam funcionar melhor na faixa, e não funcionaram como se esperava. O Fofocalizando vive um período de audiência estável, mais morna, e também se pensa em alguma coisa para agitar o programa e recuperar público. Não vai ser fácil: é reta final de ano, quando muita gente troca a televisão por outros compromissos e a audiência não costuma subir.

Sete horas ao vivo no Domingo Legal

Celso Portiolli quer o Domingo Legal 100% ao vivo no ano que vem, mas ainda não há quadros novos definidos. Por enquanto, ele defende as sete horas ao vivo. Já conversou com Júnior Gargalaca, diretor do programa, e a proposta vai ao alto comando do SBT.

A ideia costuma esbarrar no argumento de que game é melhor gravado, porque depois se edita. Portiolli viu, nos casos mais recentes, que é possível fazer game ao vivo, manter a emoção e chegar a um desfecho. Para 2027, o plano é ter mais externas, o que dá outro ritmo e um respiro ao programa. Estar sete horas ao vivo não significa que todo o material seja ao vivo: o apresentador pode chamar reportagens e pequenos quadros e costurar o programa ao longo da tarde. Nada está determinado, e a equipe segue atenta a formatos que tenham a cara de Portiolli, possam ser comprados e deem resultado.

Globo pode romper com a RPC?

O contrato entre a Globo e suas afiliadas prevê advertências sobre o comportamento da emissora regional, que precisa seguir os mesmos padrões administrativos e editoriais da cabeça de rede. No caso da RPC, afiliada no Paraná, pesou muito a época das eleições. Se for comprovado que diretores insinuaram apoio a um candidato, isso pesa muito com a Globo.

O primeiro passo é chamar, conversar e tentar uma solução. Se houver agravantes, é possível romper o contrato, e aí a Globo teria de encontrar outro grupo para levar seu sinal ao estado, com retransmissão em várias cidades. A avaliação é que o mais provável seja um acordo: os dois lados sentam e ajustam o comportamento e, principalmente, o compromisso com a linha editorial.

Por que o Jornal Hoje mudou

O Jornal Hoje deixou de lado as reportagens de moda e as dicas para donas de casa porque o público mudou. No começo da tarde, o telejornal vai muito além da dona de casa, com muita gente em escritórios e em locais de serviço com a TV ligada. As pesquisas mostram uma audiência muito ampla, com perfis bem diferentes, e o telejornal se adaptou a isso. Houve uma época em que o Hoje tinha, durante a semana, uma matéria mais suave e, aos sábados, entrevista e muitas reportagens de entretenimento, quase uma revista eletrônica.

Os estúdios da antiga Manchete

O estúdio A de Água Grande, da antiga TV Manchete, é grande, mas tamanho não basta. Hoje é preciso uma estrutura mais moderna, e muitas vezes é mais fácil construir um estúdio novo. Produtoras fizeram isso e alugam seus espaços para Globo, Record e até para publicidade: estúdio com pé-direito alto virou privilégio de poucos, e os cenários dos programas são cada vez maiores.

Ao mesmo tempo, emissoras têm estúdios sobrando. O SBT tem vários fechados, porque não precisa de tanto espaço, e às vezes os aluga. A Globo tem o MG4, um dos mais modernos da América Latina, mas outros estúdios do antigo Projac foram desenhados para outra época e outras necessidades. No caso da Manchete, ainda há todo o imbróglio jurídico, e muito tempo já passou.

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José Armando Vannucci

José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.

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