Quem Ama Cuida exagera nos clipes e esquece a história
Capítulo de terça-feira abusou das cenas musicais e mostrou que até a beleza pode cansar quando falta história.
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Quem Ama Cuida é uma novela bonita, bem produzida, com uma direção primorosa e um cuidado artístico que merece reconhecimento. Mas o capítulo desta terça-feira (04/11) deixou uma preocupação importante. Ao apostar em três longos clipes musicais para contar a história de seus casais, a trama acabou exagerando na dose e provocou uma sensação que nenhuma novela deveria despertar no telespectador. A impressão de que a história não estava andando.
Adriana e Pedro, Mau Mau e Felipe, Dora e André. Três casais que conquistaram o público, despertam torcida e têm histórias que merecem ser acompanhadas. O problema não está na escolha desses personagens nem na proposta de destacar seus relacionamentos por meio da música. O recurso é válido, pode ser bonito e funciona muito bem quando utilizado na medida certa. O que não funciona é repetir praticamente a mesma fórmula três vezes no mesmo capítulo. Sem contar que outros recursos artísticos constantemente aparecem nas grandes sequências.
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O primeiro clipe, com Adriana e Pedro, funciona. É bonito, tem uma música bem escolhida e valoriza o casal. Quando chega o segundo, com Mau Mau e Felipe, a sensação já é de que poderia ter sido mais curto. Afinal, o objetivo era mostrar o namoro dos dois e fugida de ambiente para o beijo. Uma sequência com um bom fundo musical bem seria suficiente. Mas a novela insistiu novamente na dança, nas tomadas longas e no mesmo recurso narrativo. Ou seja, cansou.

Se não bastasse isso, mais um longo clipe
Logo depois, veio Dora e André. Mais um clipe, mais música, mais dança e novamente a mesma linguagem. Em determinado momento, parecia que estávamos assistindo a uma novela musical. E quase surgiu um quarto casal musical, com Cleber e Elenice.

É aí que mora o problema de Quem Ama Cuida. A novela tem uma direção muito presente, apresenta soluções visuais interessantes e demonstra uma preocupação artística que faz diferença no resultado final. Entretanto, existe uma repetição de elementos que começa a chamar mais atenção do que a própria história. Isso acontece também em outras situações.
Basta observar algumas sequências de encontros e jantares na casa de Pilar. A câmera se movimenta, os personagens circulam pelo ambiente, um fala daqui, outro responde dali, e tudo parece muito ensaiado. A qualidade visual continua presente, mas a sensação de novidade desaparece.
Interminável festa dos anos 80
No capítulo de terça-feira de Quem Ama Cuida, o excesso ficou ainda mais evidente. Além dos três clipes dos casais, vários momentos da dança coletiva dos anos 80. A festa da academia dominou o capítulo numa longa noite que só foi prazerosa para os personagens. Além disso, algumas imagens se repetiam e determinados movimentos apareciam novamente. Ou seja, claro que havia muito material gravado e que a edição procurou distribuí-lo ao longo da exibição. Mas nem tudo o que fica bonito na ilha de edição precisa necessariamente ir ao ar.
Observação importante que pode ajudar
O telespectador não acompanha uma novela apenas para admirar a fotografia, a iluminação, a direção de arte ou a escolha das músicas. Tudo isso tem valor, claro, mas precisa estar a serviço da narrativa. Queremos história, conflitos, emoções, acontecimentos e personagens que avancem. Uma cena bonita pode impactar. Três cenas praticamente iguais podem cansar.
O capítulo de ontem de Quem Ama Cuida teria ganhado muito mais se a produção tivesse escolhido um ou, no máximo, dois momentos musicais para destacar os casais. O espaço restante poderia ter sido ocupado por situações que movimentassem outras histórias. Pilar e Tom, por exemplo, ofereciam possibilidades muito mais interessantes para manter o ritmo da narrativa.
O exagero é capaz de estragar até aquilo que é bom. Uma sequência romântica, quando bem construída, emociona. Quando a mesma fórmula é repetida seguidamente, perde força. O que deveria ser um momento especial passa a ser apenas mais uma cena longa.
Quem Ama Cuida está indo bem de audiência, repercute nas redes sociais e conseguiu estabelecer vínculos com o público. Tem personagens queridos, casais pelos quais existe torcida e uma apresentação visual que merece elogios. Justamente por isso, precisa ter cuidado para não transformar uma qualidade em um problema.
Quem Ama Cuida não precisa provar a cada capítulo que é bonita. Isso o público já percebeu. Precisa continuar contando boas histórias. Porque, no fim das contas, é a história que faz o telespectador voltar no dia seguinte, e não apenas a beleza de um clipe.
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.
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