Revista eletrônica do SBT ainda é dúvida
Projeto para as manhãs divide opiniões no SBT, depende de aprovação comercial e pode ficar para 2027.
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Tem um gato no telhado do SBT! E esse gato atende pelo nome de revista eletrônica. A ideia de criar um novo programa para as manhãs da emissora existe, tem defensores importantes e até previsão de gravação de um piloto. Mas transformar esse projeto em realidade ainda depende de uma série de avaliações internas e, principalmente, do respaldo do mercado publicitário.
A proposta ganhou força a partir de uma discussão sobre o perfil da programação matinal. Uma das avaliações é que o excesso de conteúdo policial e de prestação de serviço limita o potencial comercial da faixa. Na visão de parte dos executivos, o SBT precisa oferecer um produto diferente, capaz de atrair outros anunciantes e ampliar o faturamento.
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Um dos principais defensores dessa mudança é Sérgio Valente, consultor comercial da emissora e profissional com longa experiência na Globo e em outras plataformas. Ele entende que uma revista eletrônica, com conteúdo mais diversificado, poderia abrir novas oportunidades comerciais. Mas existe uma preocupação importante. O programa precisa ter a cara do SBT. Afinal, a emissora já experimentou diferentes formatos de revista eletrônica ao longo dos anos, e nenhum deles conseguiu se consolidar como se imaginava.
Piloto será apresentado ao mercado publicitário
Depois do Teleton, a previsão é gravar um piloto com Marcelo Casagrande, Dani Brandi e Felipeh Campos. O material será apresentado ao mercado publicitário para avaliar o interesse dos anunciantes. A lógica é bastante objetiva. Se as agências e os anunciantes demonstrarem disposição para comprar espaços, com contratos de três meses, um ano ou períodos maiores, o projeto ganha força e poderá chegar à programação. Sem esse respaldo comercial, a tendência é que a revista eletrônica não saia do papel.
É justamente aí que aparece a primeira grande divergência dentro do SBT. Um grupo defende que o programa precisa estrear ainda em novembro, preferencialmente na segunda quinzena. A avaliação é que, se a emissora esperar demais, ficará cada vez mais difícil conquistar anunciantes para um produto que ainda não existe na grade. Outro grupo adota uma postura mais cautelosa. Novembro não seria o melhor momento para lançar um projeto novo, já que dezembro costuma registrar uma fuga natural de telespectadores e o início de janeiro também apresenta dificuldades de audiência.
E existe uma lembrança recente que alimenta essa preocupação. O SBT já viveu situação semelhante com o Tá na Hora. A estreia de José Luis Datena no telejornal aconteceu no início de dezembro de 2024, com a expectativa de aproveitar a força do apresentador e preparar o programa para um período de maior demanda por prestação de serviço, especialmente durante a temporada de chuvas. O resultado inicial teve suas curiosidades, mas dezembro e a virada do ano trouxeram as dificuldades típicas do período. Para os mais conservadores, a experiência serve de alerta.
SBT precisa de uma revista eletrônica ou de um novo formato?
Uma pergunta enviada ao Vannucci Responde merece atenção. Se o SBT já consegue disputar a audiência da manhã com a Record, não seria mais inteligente concentrar esforços na programação da tarde? A questão faz sentido.
O SBT já tem o Primeiro Impacto e outros espaços que permitem trabalhar diferentes conteúdos. Uma nova revista eletrônica só terá razão de existir se apresentar uma proposta realmente diferente. Se mantiver o noticiário policial, as notícias de cidade e a prestação de serviço praticamente nos mesmos moldes atuais, a mudança será apenas de nome e embalagem. E isso não basta para conquistar o telespectador.
Um nome importante nesse processo é Leandro Cipoloni, diretor de Jornalismo do SBT, que tem experiência na criação e formatação de produtos em outras emissoras e plataformas, como Record e CNN Brasil. Sua participação pode ajudar a construir uma proposta mais consistente, desde que exista liberdade para desenvolver um conteúdo que realmente diferencie o programa do restante da grade.
Palavra final será de Daniela Beyruti
Uma fonte muito bem posicionada no SBT, com uma visão privilegiada dos movimentos internos da emissora, acredita que essa revista eletrônica dificilmente estreará ainda em 2026. Na avaliação desse executivo, mesmo com muita disposição dos envolvidos, o projeto precisaria de mais tempo para amadurecer.
Seria necessário gravar o piloto, apresentar o material ao mercado, receber avaliações internas e passar pelo comitê de diretores. A palavra final será de Daniela Beyruti, que ouvirá seus executivos, conselheiros e também o conselheiro da presidência, Alfonso Aurin , antes de tomar uma decisão.
Ou seja, não basta ter uma boa ideia e encontrar profissionais dispostos a colocá-la em prática. É preciso convencer comercialmente e conquistar o aval da direção.
Minha avaliação é que a tarde merece mais atenção
Eu entendo a preocupação em reformular as manhãs, mas acredito que o SBT deveria olhar com mais carinho para a programação da tarde. É nesse período que a Record consegue abrir uma vantagem mais expressiva. No meio da tarde, com a entrada do Brasil Urgente, a Band também se aproxima do SBT e, em determinados momentos, coloca pressão na disputa pela audiência. No horário do almoço e no fim da tarde, portanto, existe espaço para investimentos e mudanças que poderiam trazer resultados importantes.
A manhã, de certa maneira, já tem uma estrutura estabelecida. É possível lapidar os produtos existentes, melhorar conteúdos e buscar novas oportunidades comerciais. Mas será que vale concentrar tanta energia em uma revista eletrônica enquanto outras faixas da programação apresentam desafios mais evidentes? O SBT precisa pensar em audiência, mas também em faturamento. E uma coisa não garante automaticamente a outra.
Por enquanto, o gato continua no telhado. Vamos acompanhar se ele desce para uma das salas de produção da Anhanguera, ganha corpo e vira programa de televisão ou se acaba desaparecendo antes mesmo de chegar à grade.
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.
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