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Band deve apostar em reprises nas madrugadas

O que a Band fará sem a igreja na madrugada e sem as bets, a reforma do jornalismo da Globo e da GloboNews e o formato do Torcida SBT nas tardes.

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A devolução das madrugadas pela igreja Universal custou caro à Band. Financeiramente, a emissora perdeu muito dinheiro, e não há como negar: era uma entrada garantida. A Band não gastava com programação, só com a operação de liberar o sinal, que já chegava pronto da produtora da Igreja Universal e entrava direto no ar. Também não precisava de tanta gente trabalhando no horário.

Num primeiro momento, a saída deve ser repetir atrações. A Band pode reprisar o Jornal da Band, colocar o Jornal da Noite para fechar a faixa e esticá-lo um pouco para deixá-lo mais robusto, além de trazer programas dos canais do grupo, como BandSports e BandNews. A ideia é dar um pouco mais de substância à madrugada, mas com reprises cobrindo o período. A emissora também já se colocou à disposição de outras igrejas e de possíveis locatários para o horário.

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Com a proibição das bets, o trabalho passa a ser descobrir qual tipo de patrocinador entra no lugar. Uma programação que depende de um só setor fica muito vulnerável. É preciso manter bons relacionamentos e mostrar aos bancos, às montadoras e aos magazines que eles ainda precisam investir ali. A economia vinha rodando menos porque o dinheiro estava muito concentrado nas apostas, e é na Band que essa transformação será mais sentida. De forma geral, as emissoras se preparam para equilibrar as contas com o fim das bets.

A reforma do jornalismo da Globo

A Globo vai, sim, reformular o jornalismo na TV aberta e na GloboNews. A informação de que o jornalismo passaria por uma reforma surgiu ainda na fase da saída de William Bonner do Jornal Nacional e foi publicada por Alessandro Lo-Bianco. A troca mexeu com três telejornais de uma vez: César Tralli foi para o JN, Roberto Kovalick assumiu o lugar dele e Tiago Scheuer assumiu o Hora 1. Junto veio uma reforma visual. Fazer mudança demais perto da eleição, porém, atrairia todo tipo de comentário.

A mudança agora vai além das cadeiras e do cenário. A cobertura das eleições não agradou a nenhum dos lados, e o bom jornalismo precisa falar com todo mundo. Uma empresa pode ter linha editorial e princípios, mas tem de conversar com todos. A ideia, principalmente na GloboNews, é criar um espaço de conversa entre todos os pensamentos, com gente que transite entre as posições e não seja tão radical.

A GloboNews também pensa em programas diferentes para o fim de semana, quando os jornais ficam arrastados. O assinante já mostra que 24 horas de notícia com os mesmos comentaristas cansam, e o canal percebeu que perde audiência por isso. Precisa de uma programação mais variada dentro do jornalismo.

Na Globo, a reforma serve ainda para rever a redação: como trabalhar melhor os repórteres, como trazer mais matérias investigativas e como baixar custos. O jornalismo é extremamente caro, até em comparação com as novelas, porque a mesma redação e a mesma reportagem abastecem vários telejornais. A emissora sabe que tem bons talentos mais jovens e não quer necessariamente descartar os mais velhos, mas vai rever muita coisa. É uma reforma para acompanhar de perto, porque diz muito da estrutura administrativa e da política editorial da GloboNews. Flávio Ricco chegou a informar que ela poderia começar já em novembro. Fim de ano é sempre complicado, mas as emissoras já olham para novembro e dezembro para se preparar para 2027, que será um ano difícil.

O formato do Torcida SBT nas tardes

O Torcida SBT tem a cara do SBT. Funcionou porque trouxe uma certa modernidade à programação esportiva da emissora, e Tiago Leifert se envolveu de verdade com o projeto. As brincadeiras e o clima do programa mostram o que pode ser uma atração diária: um programa de conteúdo, muito diferente do Encontro, do Mais Você e do Hoje em Dia, e vendável. Leifert, porém, chegou a um momento da carreira em que escolhe os projetos a dedo e quer liberdade para outras frentes.

O melhor lugar para esse formato seria a tarde. Termina o Fofocalizando, entra o novo programa, depois um jornal local curto e o SBT Brasil. Tudo ao vivo: a fofoca como entretenimento puro e, em seguida, uma atração que comporta esporte, jornalismo e entrevistas. O SBT, porém, ainda não tem nenhuma ideia nesse sentido. A revista pensada para as manhãs é uma revista eletrônica bem formatada. O piloto deve ser gravado depois do Teleton e mostrado ao mercado publicitário, e a partir dessa reação a emissora decide se estreia agora. Boa parte da imprensa avalia que este não é o momento: em novembro, fim de ano, o melhor seria deixar para o início de 2027, até porque fazer tudo às pressas corre o risco de queimar etapas.

Por que a Record News não tem jornal ao vivo cedo

A pergunta foi levada à Record. A explicação está na estrutura da programação, pensada para atender a necessidades específicas: nem sempre o público do início do dia quer um telejornal. Na Record, o horário tem o Balanço Geral local e o nacional. Na Record News, às 5h30 entra uma faixa de séries especiais, e das 5h45 às 8h15 vai ao ar um programa rural, de inovação e negócios. O jornalismo ao vivo começa às 8h35.

Esse início de dia é voltado ao homem do campo e a quem busca outro tipo de informação. Às vezes é preciso nichar mesmo: sem isso, a Record News não teria alternativa à concorrência no horário, com GloboNews, SBT News e a CNN cheia de telejornais.

O galpão vazio ao lado do SBT

A princípio, o SBT não pensa em usar o galpão vazio vizinho à emissora para ampliar a redação do SBT News. O jornalismo está compacto e resolvido no estúdio 4, onde ficam a redação e todos os cenários do canal. Essa estrutura funciona bem e não precisa do galpão. Já se falou em transformá-lo em estúdio para gravar novelas ou alugar para outras produções, e mesmo assim sobra espaço no SBT, com alguns estúdios sem uso neste momento.

A ideia é alugar o espaço para ter outras fontes de renda. Um espaço físico exige muita manutenção, mas também pode ser comercializado e engordar o caixa. Um galpão na Anhanguera vale um bom aluguel.

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José Armando Vannucci

José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.

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