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TV deve frear as novidades em 2027 por falta de dinheiro

Por que a televisão não deve trazer grandes novidades em 2027, o lugar do Encontro na Globo e o fim do Feriadão SBT.

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Falta novidade na televisão, e o público sente. A TV aberta anda carente de produções mais robustas, e a prova veio neste ano: quando a Globo colocou na linha de shows Guerreiros do Sol, novela inédita na TV aberta, mas que não foi produzida originalmente para ela, e depois Pablo e Luisão, que também trouxe ar de novidade, a audiência reagiu. O telespectador quer acesso a dramaturgia e entretenimento de qualidade, coisas que o prendam à TV. Sem isso, vai para o digital buscar boas séries, bons filmes e bons programas no horário que escolher.

Por isso, o grande desafio da televisão em 2027 vai ser ser atraente. Mais do que estrear novidades, a TV precisa prender quem está do outro lado da tela. E as expectativas para o ano que vem convém ajustar. Durante um tempo, o mercado falou em programas novos e grade nova em várias emissoras. De uns meses para cá, os executivos de TV puseram o pé no freio. A avaliação dos executivos é que 2026 foi muito difícil financeiramente e que 2027 não dá sinais de ser muito diferente.

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O anunciante segue restrito nos investimentos e concentrado no que dá certo. É por isso que as novelas viraram prioridade na Globo: elas vendem muito, porque quem anuncia sabe que ali tem público e que o merchandising funciona. Parte do dinheiro vai também para alguns programas de auditório. Mas a verba está muito mais difícil de entrar, e com menos dinheiro há menos investimento na programação. Ou seja, depois do Upfront da Globo vêm o do SBT e os anúncios da Record, mas o que vier deve ser um pouco mais do mesmo. Se for feito com mais autenticidade e mais surpresa, já prende o telespectador. O que a TV precisa é surpreender com qualidade, respeitando a inteligência e o bom gosto de quem assiste.

O Encontro deveria ir para a tarde?

A ideia de levar o Encontro para a tarde e deixar o Mais Você sozinho de manhã, com mais tempo para Ana Maria Braga, esbarra em várias questões. Quando Fátima Bernardes criou o Encontro, talvez o primeiro olhar tenha sido mesmo para o período da tarde. Nos bastidores da Globo, todo mundo já sabia que a programação infantil da manhã estava com os dias contados: a audiência caía e ficava cada vez mais difícil de vender. O ideal ali era uma programação adulta que segurasse o público vindo da madrugada e o levasse até os jornais da hora do almoço.

Para a tarde, a Globo depois tentou os games, e eles não funcionaram. O Se Joga foi um raciocínio muito errado, e muita coisa voltou para trás a partir dali. O Encontro deve continuar como está, e o ideal é que vire uma grande faixa da manhã, coisa que só o tempo vai trazer. Para a tarde, vale olhar para o Encontro, aproveitar o que serve e acrescentar outros elementos, porque a dinâmica é outra. De manhã, o telespectador usa a TV quase como um rádio, ouvindo mais do que vendo. À tarde, tem um pouco mais de tempo para sentar e assistir.

Por que o SBT deixou o Feriadão SBT

São vários motivos, mas o principal é que o público mudou. O Feriadão SBT punha no ar desenhos para as crianças e filmes infanto-juvenis ou para toda a família, e esse público já não está lá. Hoje, muitas vezes é mais importante manter a programação tradicional no feriado, para mostrar ao adulto que está com mais folga em frente à TV que existe ali uma programação que ele pode acompanhar todos os dias.

O caminho é levar o clima do feriado para os programas que já estão no ar e vão continuar. O Fofocalizando, por exemplo, pode trazer outra pegada nesses dias, sabendo que as pessoas estão em outro clima em casa.

Desenhos da TV Globinho no Sábado Animado?

Comprar os desenhos clássicos da TV Globinho para o Sábado Animado não deve funcionar. Esses desenhos atraem pelo saudosismo, e quem se interessa por eles são as pessoas mais velhas. O problema do SBT é outro: a emissora ainda enxerga a programação infanto-juvenil como muito infantil, e esse não é mais o público que está em frente à TV. Um programa desse tipo precisa falar ao mesmo tempo com a primeira e a segunda infância, a pré-adolescência e a adolescência para se tornar viável, com uma linguagem nova, direcionada a esse público.

Os desenhos de hoje para a primeira infância funcionam muito bem, mas no digital e nos canais fechados, porque são muito direcionados. Muita criança gosta do que é oferecido, mas a maioria, depois de certa idade, migra para outro conteúdo digital.

Dá para falar com todas as idades ao mesmo tempo?

Talvez esse seja um bom caminho: um produto que converse com o maior número possível de pessoas, de faixas etárias diferentes, como os programas de auditório de domingo faziam, falando com a criança, o jovem, o adulto e o idoso. A TV Cultura, com sua faixa das 19h de desenhos japoneses, séries live action e conteúdo geek, consegue fazer programação muito segmentada porque tem outros compromissos além da audiência.

Depois de certa idade, a criança e o pré-adolescente em frente à TV não são mais os mesmos de anos atrás. Talvez não queiram mais palhaços nem apresentadoras infantis, e cabe aos executivos de televisão mudar a cabeça, porque o recado do telespectador é claro. Na Globo, no SBT ou na Record, dificilmente isso acontece. Emissoras com audiência menor talvez consigam. E o SBT daria um grande passo aos sábados se entendesse que esse público mudou e precisa de outro olhar.

Estes são os assuntos do Vannucci Responde de 14 de outubro, no canal do Vannucci no YouTube. Mande sua pergunta pelas redes sociais @javannucci e @canaldovannucci ou nos comentários do vídeo.

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José Armando Vannucci

José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.

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