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Três Graças resgata antiga discussão sobre novela entrar no ar mais cedo

Muitos defendam que a principal novela da Globo volte para a faixa das 20h30

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Família Ferrete
Lorena (Alanis Guillen), Leonardo (Pedro Novaes), Ferette (Murilo Benício) e Zenilda (Andréia Horta). Foto: Estevam Avellar/Globo

A oscilação de audiência de Três Graças resgatou uma antiga discussão sobre a programação da Globo. A grade noturna deve ou não deve começar antes para tentar melhorar os números do principal horário da dramaturgia? Esse tema ganhou força entre o público durante a exibição de Mania de Você e chegou, inclusive, a pautar conversas entre profissionais da Globo.

Mudar o horário nobre não é tão simples, como muitos imaginam. É necessário potencializar a audiência dos principais programas com um número maior de televisores ligados. E aqui está o problema. Os levantamentos diários de audiência mostram que, a partir das 22h, muitas pessoas saem da frente da televisão. Mas, mesmo com as alterações de horário em função do futebol, Três Graças não tem sua média ampliada significativamente quando começa entre 20h30 e 20h45.

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Os números desta semana exemplificam muito bem o que estamos falando neste post. Na segunda-feira (24/11), Três Graças ficou no ar das 21h21 às 22h29 e fechou com 21,1 de média, o que representa 34% do público do horário. Já na terça-feira (25/11), a novela começou às 20h37 e terminou às 21h19 e marcou 23,0 de média, o equivalente a 36.6% de share. Nessa noite, a Globo exibiu na sequência o jogo Grêmio X Palmeiras. Na quarta-feira (26/11), Três Graças começou às 21h33 e ficou no ar até às 22h45. O capítulo com 72 minutos na tela, entre arte e comercial, conquistou 22,9 pontos de média, mas elevou a participação para 38.8% do público.

A força dos números

Essas três noites deixam muito claro que a novela funciona bem em sua faixa tradicional, afinal consegue manter uma participação (share) maior. Justamente esse dado levado em consideração pelo mercado publicitário. Na quarta-feira, por exemplo, a média do índice de televisores ligados fechou em 58,9%. Mas, antes, chegou a 62,4% durante o Jornal Nacional. Aqui surge outra informação importante para a nossa discussão: as pessoas estão desligando a TV antes da linha de shows. Portanto, fundamental colocar no pico da presença de público seus produtos principais: Dona de Mim, Jornal Nacional e Três Graças.

Com a atual grade, a Globo consegue beneficiar Dona de Mim com pelo menos 30 minutos da faixa mais intensa de televisores ligados e colocar todo o Jornal Nacional no ápice. Além disso, Três Graças tem boa parte da sua exibição com maior quantidade de televisores ligados e ainda consegue segurar público até um pouco mais tarde. Mas, para isso, tem que trazer uma história forte.

Todos esses elementos apontam para uma discussão difícil sobre antecipação dos horários da grade noturna da Globo. Mas, independente de qualquer número e horário, o importante é investir em conteúdo, boas histórias e numa linha de shows que também chame a atenção do púbico. Ou seja, melhor a audiência das noites da emissora é muito mais complexo do que muitos imaginam.

José Armando Vannucci

José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.

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