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Odete Roitman é amada pelo público. Isso é ruim?

Débora Bloch construiu uma vilã que nos esconde algo no olhar, até mesmo um pouco de amor aos filhos.

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Odete Roitman e Maria de Fátima na sala da casa da vilã
Odete Roitman faz proposta de aliança para Maria de Fátima. Foto: Angélica Goudinho/Globo

Odete Roitman está entre as personagens mais amadas de Vale Tudo. Isso se não for a líder da lista. O fato é que a vilã conquistou o telespectador, principalmente por suas falas ácidas e diretas. Já ouvi de muita gente que assiste a novela que ela diz para Heleninha o que todo mundo gostaria de falar. Além disso, reconhece que, em algum momento do dia, também julgamos os outros a partir dos nossos olhares.

Boa parte do amor a Odete Roitman vem da interpretação de Débora Bloch. A atriz conseguiu fugir da construção clássica das vilãs e montou uma mulher arrogante, elegante e que olha o mundo de cima para baixo. Mas, Débora traz uma camada suave e bem interessante que humaniza essa empresária. Ela olha para Heleninha bêbada com todo o desprezo, mas, ao mesmo tempo, é possível enxergar ali um amor ou pelo menos um olhar de dor ao ver a filha numa situação daquelas. Mas, como arrogante que é, dispara as mais secas e dolorosas palavras.

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Mas, convenhamos, ela tem razão quando diz que Heleninha é uma mulher de 40 anos que insiste em não ter responsabilidade. E não erra quando a acusa de ser mimada. E sei que muitas pessoas concordaram quando ela disse que Afonso não vai se transformar num presidente da empresa ao passar o dia todo na praia. Preconceitos? Frases com tom xde arrogância, mas que as pessoas aplaudiram.

Possível amar uma vilã?

Vilã que é vilã precisa mexer com os sentimentos do público. Pro bem ou pro mal. E Débora Bloch consegue colocar todos nós no meio de tudo isso, longe dos extremos do ódio ou do amor. Você não odeia completamente a Odete, mas também tem vergonha de falar que a ama. Entretanto, reconhece que ela não passa despercebida. Isso acontece muito pelo texto de Manuela Dias, mas principalmente pela belíssima interpretação de Débora Bloch.

Mas não é ruim uma vilã ser amada. Se ela entregar todas as maldades e ainda conquistar quem está em casa é sinal bem claro de que a personagem funcionou. A gente vai se envolver com ela, temer em alguns momentos, concordar em outros e torcer para ela se dar mal. Claro que todos sabemos que ela será assassinada. Mas, aposto como muitos torcem para a autora não seguir o original ou deixá-la mais tempo no ar.

José Armando Vannucci

José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.

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