InícioColunasHistórias da TVAutor levou para a TV trisal que viveu nos anos 1970

Autor levou para a TV trisal que viveu nos anos 1970

Em 12 de julho de 1980, a TV Globo colocou no ar a minissérie “Quem Ama Não Mata”. Além de trazer todo o suspense do assassinato, essa produção levou ao público uma importante discussão sobre relacionamentos. Já no primeiro o telespectador sabia que ali estavam uma vítima e um criminoso, mas impossível apontar quem era quem. Aliás, foi assim até o final, graças ao bom texto Euclydes Marinho e direção precisa de Daniel Filho e Dênis Carvalho. É claro que Marília Pêra e Claudio Marzo se entregaram aos personagens tão complexos.

Há 44 anos, as pessoas ainda discutiam a trágica morte de Ângela Diniz. Quatro anos antes da estreia da minissérie, a socialite mineira foi assassinada a tiros por Doca Street, que alegou ciúmes para a realização do crime. O noticiário foi intenso durante seu julgamento e um movimento pelos direitos femininos pichou um muro à frente do tribunal com a frase “Quem Ama Não Mata”.

Um certo dia, Daniel Filho e Euclydes Marinho conversavam sobre a vida, projetos e o toda a repercussão daquela morte que abalou o país. E dali surgiu a ideia da minissérie. Em nenhum momento os dois colocaram como questão fundamental levantar barreiras contra o machismo, uma vez que o tema surgiria naturalmente a partir da história. E foi o que aconteceu.

A vida além do noticiário

A trama principal de “Quem Ama Não Mata” surgiu a partir de todo o noticiário, mas outros núcleos apareceram das vivências de Euclydes Marinho e Daniel Filho. Por exemplo, o casal Júlia e Chico contava parte da história vivida pelo autor e sua mulher. Ela era atriz e um dia chegou em casa dizendo estar apaixonada pelo ator com quem contracenava. Euclydes aceitou por um tempo viver esse triângulo, uma vez que sua esposa disse que ainda amava o marido. Esse casal de comportamento longe do padrão da época deu o que falar.

“Quem Ama Não Mata” até hoje é apontada como uma das grandes produções da nossa dramaturgia e o texto mais elaborado de Euclydes Marinho. Em 2015, o autor resgatou essa história e levou ao ar na faixa das 23h a minissérie ” Felizes Para Sempre?”, com Enrique Diaz, Maria Fernanda Cândido e Paolla Oliveira nos papéis principais.

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José Armando Vannucci
José Armando Vannuccihttps://www.canaldovannucci.com.br
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.