A Globo percebeu que, para manter a liderança na dramaturgia, não basta investir apenas em novos talentos. É preciso unir renovação e experiência, preservando os elementos que sempre fizeram das novelas um dos produtos mais importantes da televisão brasileira.
Nos últimos anos, a emissora abriu espaço para novos autores, incentivou diferentes olhares e buscou aproximar sua dramaturgia das novas gerações. Mas as pesquisas internas também mostraram um caminho muito claro. O público continua valorizando uma boa história, personagens fortes, grandes vilãs, mocinhas cativantes, romances envolventes e conflitos capazes de prender a atenção durante meses.
Essa constatação provocou uma mudança de estratégia. Depois de reduzir o número de colaboradores para privilegiar obras mais autorais, a Globo voltou a estimular o trabalho em equipe. A ordem agora é promover a troca de experiências entre autores, roteiristas e produtores, criando um ambiente permanente de desenvolvimento dentro dos Estúdios Globo.
Espaço da dramaturgia
Recentemente, a Globo criou um espaço permanente para os profissionais da dramaturgia dentro dos Estúdios Globo. Trata-se de um local de apoio aonde autores e produtores podem trabalhar seus textos e, assim, ficarem mais próximos das equipes de produção e artistas. Ou seja, um espaço para promover encontros e trocas de ideia.
A iniciativa ganhou força a partir de uma proposta defendida por Rosane Svartman em conversas com a direção da emissora. A ideia foi transformar os Estúdios Globo em um verdadeiro centro criativo para a teledramaturgia, com encontros, workshops, debates e salas de convivência onde profissionais de diferentes gerações possam compartilhar experiências e desenvolver projetos em conjunto.
Os reflexos dessa política já aparecem nas próximas produções. Cristianne Fridman, que acaba de concluir o chamado primeiro dorama brasileiro idealizado por Walcyr Carrasco, retorna para integrar a equipe da nova novela escrita por Carla Faour e Julia Spadaccini. Ao lado dela estarão nomes como Gabriela Amaral, Camilo Pellegrini, Adriana Chevalier, Felipe Barenco e Eli Nunes, formando uma equipe que reúne diferentes experiências e estilos de escrita.
Três Graças: grande exemplo
A experiência recente também reforçou essa convicção. O modelo colaborativo adotado em Três Graças mostrou que a soma de diferentes talentos pode resultar em uma novela consistente, moderna e ao mesmo tempo fiel às características do folhetim tradicional. A parceria entre Walcyr Carrasco e Claudia Souto segue a mesma linha, cercada por roteiristas experientes que ajudam a dar ritmo e consistência à narrativa. Ou seja, a Globo compreendeu que inovar não significa romper com sua história. Pelo contrário. A emissora entende que a renovação passa pelo respeito ao conhecimento acumulado por gerações de autores que ajudaram a construir a identidade da teledramaturgia brasileira.
Recentes pesquisas mostram que as novelas permanecem entre os conteúdos mais assistidos e admirados pelo público. Ao lado dos realities e dos programas de auditório, a dramaturgia segue sendo um dos principais motores da TV aberta, capaz de criar hábito de consumo, fidelizar audiência durante seis dias por semana e oferecer estabilidade comercial aos anunciantes.
