InícioColunasColuna do VannucciCasa do Patrão termina sem repetir o impacto dos grandes realities

Casa do Patrão termina sem repetir o impacto dos grandes realities

Reality idealizado por Boninho não conquistou o público e já exige mudanças para uma possível nova temporada.

O fim da primeira temporada de Casa do Patrão deixa uma conclusão inevitável. O reality idealizado por Boninho ficou distante da repercussão esperada e encerra sua trajetória sem alcançar o impacto que cercou seu anúncio ainda no ano passado.

Desde que deixou a Globo, Boninho surgiu como o principal nome para desenvolver um grande reality no SBT. As conversas com Daniela Beyruti avançaram e o projeto tratado, pelo menos pela mídia, como prioridade. A proposta parecia caminhar para se tornar uma das grandes apostas da emissora. No entanto, as negociações não prosperaram e a Record entrou na disputa, levando o formato para sua programação.

A expectativa era enorme. Afinal, Boninho comandou durante anos o Big Brother Brasil, participou da criação de outros formatos de sucesso e sempre foi visto como uma das maiores referências do gênero no país. Naturalmente, qualquer novo projeto acabaria sendo comparado ao BBB e também aos realities produzidos por Rodrigo Carelli na própria Record.

Identidade de um reality

O próprio Boninho sempre defendeu que a estrutura de um reality é parecida em qualquer formato. Há confinamento, provas, liderança, eliminações e votação. O diferencial aparece na maneira como essas peças acabam organizadas e apresentadas ao público. Foi justamente nesse ponto que Casa do Patrão encontrou dificuldades para criar uma identidade capaz de despertar maior interesse.

Um dos fatores que mais pesou foi a escolha do elenco. A Record construiu sua tradição em realities apostando em personalidades conhecidas. O público da emissora acostumou-se a acompanhar artistas vivendo situações fora da zona de conforto, seja em A Fazenda ou no Power Couple. Essa identificação acaba sendo um ingrediente importante para gerar conversas, repercussão e engajamento. Ao apostar em um elenco bastante anônimo, o programa perdeu parte desse apelo. A experiência recente do BBB também mostra uma mudança de comportamento do público. Embora muitas pesquisas apontem o desejo de voltar ao chamado “BBB raiz”, na prática os participantes mais conhecidos costumam concentrar os maiores conflitos, protagonismos e mobilização nas redes sociais.

Outro desafio foi encontrar o tom ideal da apresentação. Evaristo Costa foi a primeira escolha, mas as negociações travaram na quarta rodada de conversas. Também não foi adiante a tentativa com André Marques. A opção por um humorista acompanhou uma tendência internacional, que busca apresentadores com grande capacidade de improviso, característica importante em realities. Ainda assim, essa estratégia não se traduziu em maior envolvimento do público.

Momento certo

O pouco envolvimento do público com a Casa do Patrão pode ter sido provocado por outro fator. O reality chegou logo após o fim do BBB, período em que parte da audiência ainda demonstra certa saturação do gênero. Talvez um intervalo maior entre os formatos ajudasse a criar uma expectativa mais favorável para o lançamento.

Caso a Record decida produzir uma segunda temporada, algumas mudanças parecem inevitáveis. A escolha da data de estreia, um elenco com mais nomes conhecidos, dinâmicas mais alinhadas ao perfil do público da emissora e uma adaptação maior ao estilo da Record podem fortalecer o projeto.

Independentemente da continuidade, Casa do Patrão encerra sua primeira edição sem o prestígio imaginado quando de seu anunciado. A baixa audiência e a repercussão limitada mostram que nem sempre um grande nome nos bastidores é suficiente para transformar uma boa ideia em um grande sucesso. No fim das contas, é o telespectador quem decide quais formatos merecem permanecer no centro das conversas.

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José Armando Vannucci
José Armando Vannuccihttps://www.canaldovannucci.com.br
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.