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Política coloca a TV em segundo plano nas eleições

Emissoras de TV ainda não perceberam que para os políticos e eleitores o que vale é a interatividade da internet

A política conseguiu colocar a TV aberta contra a parede e vender ao grande público que a televisão já não tem mais a mesma importância. Essa é a conclusão de muitas conversas nos bastidores das próprias emissoras, principalmente das que sempre realizam debates e grandes coberturas das eleições. Entretanto, apesar das falas semelhantes, poucos entenderam que já passou da hora de acabar com olhares e interesses individuais. Agora, é urgente a união para tentar mostrar ao público de que a TV ainda tem sua relevância.

O primeiro turno das eleições trouxe lições importantes para os profissionais de TV, mas parece que quase ninguém prestou atenção nas aulas. Grandes estrelas da televisão, a maioria com altos índices de audiência, não foram eleitas porque não atingiram a quantidade ideal de votos. Ou seja, não basta mais ser famoso e conhecido da TV. Fundamental convencer com propostas e se posicionar. O pior é que o fracasso nas urnas pode levar muito telespectador a entender que a carreira do astro não é assim tão boa na TV.

Além disso, fundamental para o candidato os bons cortes para distribuir na internet. E nesse sentido, jornais e programas políticos possuem formatos extremamente engessados. Ou seja, melhor não comparecer no veículo tradicional para atender às novas plataformas. O candidato troca a possibilidade de falar com a massa para atender ao público específico. E aqui tem outra importante lição: ninguém mais quer ser tratado como mais um na multidão. Ou você fala para a pessoa, ou não consegue atingir ninguém. E aqui a internet atende muito bem.

Segundo turno desafiador

Nos bastidores das emissoras de TV todos reconhecem que o segundo turno das eleições presidenciais se mostra cheios de desafios. A TV precisa mostrar que ainda é importante para a democracia e que contribui para a decisão do voto. Entretanto, os candidatos à presidência não parecem muito dispostos a dedicar muito tempo para os debates eleitorais. Eles analisam uma ou outra sabatina porque o formato é mais objetivo para a divulgação de suas ideias. Só que aqui entra um concorrente importante: as entrevistas em podcast entregaram resultados mais interessantes no primeiro turno e parecem mais sedutoras agora.

O grande problema é que as emissoras de TV continuam olhando individualmente e acham que a concorrência está somente entre elas. Cada uma quer mostrar que é mais importante ou que faz melhor do que a outra. E, nessa briga de ego para ver quem consegue garantir Flávio Bolsonaro ou Lula em sua sabatina e debate, não consegue perceber que o podcast badalado e direcionado se tornou muito mais importante no segundo turno das eleições.

Os executivos das TVs precisam começam a prestar atenção nas aulas para não ficarem de recuperação também na cobertura política. Não podem esquecer que já estão de “segunda época” no entretenimento aos finais de semana, quando as plataformas de streaming oferecem conteúdo muito mais interessante. Agora, perdem espaço no jornalismo e na política.

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José Armando Vannucci
José Armando Vannuccihttps://www.canaldovannucci.com.br
José Armando Vannucci é um jornalista e escritor com mais de 35 anos de carreira dedicada à cobertura e análise da televisão. Destacou-se na Jovem Pan e em programas da TV Gazeta, TV Globo e Band, consolidando-se como referência no setor ao integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT, e ao lançar, em parceria com Flávio Ricco, a obra "Biografia da Televisão Brasileira". Atualmente, o Canal do Vannucci é seu espaço para compartilhar novidades sobre os bastidores do universo televisivo.